-Bom dia – Atirou o travesseiro no rosto de Alice, seu irmão, Edu, mal abriu os olhos ela já via o ele rindo de sua cara amassada.
-Vai dormir, Eduardo – Alice puxou as cobertas e cobriu o rosto.
-Hoje é seu dia de passear com os cachorros – ele pegou a mochila e saiu. Alice pôs a mão na cabeça e percebeu que tinha esquecido completamente dos cachorros malditos. Se levantou devagar, fez sua higiene diária, pegou o que precisava e saiu de casa sem tomar café.
Você deve estar se perguntando, porque eu lhe narro isso, bem, está chegando perto aonde eu quero chegar... onde eu a conheci.
Alice saiu recolhendo os cachorros das casas dos donos que as contrataram, ela precisava do dinheiro, ainda não vou lhe dizer para que. A barriga dela roncou.
-Esqueci de tomar café – falou para si mesma, olhou para um lado, olhou para outro e viu um café, viu se tinha algum dinheiro no bolso para comprar algo para comer, amarrou os 5 cachorros em um poste e sentou perto de onde podia ficar olhando . Enquanto isso do outro lado do café, lá estava eu sentado com a Marina, uma garota de longos cabelos pretos lisos e olhos cor de mel, pronto e um pouco nervoso para fazer um pedido... Não, não vou a pedir em casamento se é isso que está pensando. Pega leve, só tenho 17 anos, eu e ela estávamos ficando por um tempo, queria deixar isso mais sério, iria pedi-la em namoro, ela também parecia um pouco inquieta.
-Preciso te falar algo – ela pôs a mão sobre a minha.
-Também quero te falar algo – sorri.
-Então ...- Ela começou a falar e eu a interrompi
-Espera.. deixa eu falar primeiro.
-Não, eu quero falar primeiro.
-Deixa que eu falo.
-Então nós dois falaremos juntos tudo bem? – ela parecia apreensiva para dizer algo, eu queria tirar aquilo logo da minha cabeça. Concordei com a cabeça – 1...2...3... e...
-Quer namorar comigo? – Falei com os olhos meio fechados com medo da reação dela.
-Quero acabar por aqui. –Ela falou aliviada, aquilo me partiu o coração, eu realmente estava gostando da Marina... Quando percebeu no que eu tinha acabado de falar ela se levantou. – Me-me desculpa, mas – ela me viu calado e abalado – não ia dar certo – Marina gaguejava e parecia nervosa, voltou a sentar – Não fica assim... É... que... eu estou gostando de outro – segurou minha mão, ergui a cabeça e olhei em seus olhos.
-Esta tudo bem – sorri um pouco – Não é culpa sua. – ela sorriu me deu um abraço e saiu. – A culpa é minha de ser um idiota... Merda,merda, merda, merda merda. – fiquei batendo na mesa falando sozinho. Peguei o copo com café, paguei e sai irritado. Alice comia tranqüila, eu caminhei até a calçada, fiquei bem perto de onde ela estava sentada.
-Moço, cuidado – Não vi de quem era a voz, quando percebi já tinha caído de bunda no chão e derrubado café na minha camisa – Está molhado ... – a voz ria um pouco. Era uma garota com os cabelos castanhos e longos, olhos escuros que ficaram claros quando tirou o boné por conta do Sol, ela tinha um sorriso lindo.
-Haha muito engraçado – sorri sarcasticamente.
-Desculpe, deixa eu te ajudar – ela continuou rindo, e ergueu a sua mão para mim, segurei e me levantei senti aquele café escorrendo na minha roupa.
-Sou desastrado – resmunguei a mim mesmo.
-Prazer, Alice, desastrado – ela levantou a mão esperando um aperto, mostrei que estava sujo, ela recuou, e continuava rindo.
-Nicholas – sorri e não prestei muito atenção nela. Ela remexia a mochila.
-Deixa eu te ajudar a limpar isso – ela puxou um pano e logo notou que era uma camisa masculina.
-Nossa, anda com camisa de homem na bolsa? Prevenida você. É comum encontrar caras escorregando e derrubando café neles mesmos não é? – ri um pouco.
-Não. Merda. Essa é a mochila do meu irmão, ele levou a minha, idiota.
-Nossa.
-Não, não, idiota ele, não eu. Quero dizer você, não, você é id... Esquece tá? – ela riu envergonhada.
-Ta tudo bem.
-Toma veste isso – ela me entregou a camisa – Não quer passar o dia com essa camisa suja.
-Mas é do seu irmão.
-Por isso mesmo, porque é do meu irmão. – riu um pouco e vi que eu entendi a piada. Tirei a camisa lá mesmo, ela me olhava de cima a baixo, ficou parada um tempo me observando sem camisa – Alice... ér... a camisa.
-Ah, é mesmo, a camisa – ela me entregou agitada. Ela continuou me observando
-Então ... – vesti a camisa – Você sempre dá camisas para os estranhos que derrubam café deles mesmos? – sorri.
-Não – ela riu. – Você não é estranho.
-Ué porque não ?
-Parece familiar, não sei... não parece uma ameaça a mim – ela sorriu.
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